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Apocalipse 21:4

Nenhuma dor que o céu não possa curar

Por The 316 Quotes Team

Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.

Apocalipse 21:4 Almeida (domínio público)

O que significa Apocalipse 21:4?

Apocalipse 21:4 é a promessa de Deus de que, no novo céu e na nova terra, ele mesmo enxugará toda lágrima, e a morte, o luto e a dor terão acabado para sempre. Não diz que a sua tristeza de agora não importa. Diz que ela não vai durar, e que o próprio Deus será quem vai pôr fim a ela.

Existe um tipo de choro que ninguém mais consegue alcançar. Você pode estar nos braços de pessoas que o amam e, ainda assim, se sentir completamente sozinho nele. João, escrevendo do exílio numa ilha de pedra, depois de ter visto amigos morrerem pela fé, recebe um vislumbre para além de tudo isso, e é isto que lhe é mostrado.

“Ele enxugará de seus olhos toda lágrima.” Leia devagar. Não um anjo, não um estranho gentil, mas o próprio Deus, inclinando-se sobre um rosto que ele conhece, fazendo a coisa pequena e terna que um pai faz por uma criança assustada. É a imagem mais pessoal de toda a Bíblia sobre como será o céu, e há nela uma ternura quase desconcertante.

Depois vem o resto. “E não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Repare no que João não diz. Ele não diz que a sua dor foi tola, nem que você deveria ter aguentado melhor, nem que aquilo nunca doeu de verdade. Ele diz que vai acabar. Cada funeral diante do qual você esteve de pé, cada diagnóstico, cada cadeira vazia à mesa, tudo isso pertence à velha ordem das coisas que está de saída.

Isto não é uma promessa de que nada sentimos agora. Sentimos, sim. O próprio Jesus chorou diante do túmulo de um amigo, mesmo sabendo que estava prestes a ressuscitá-lo. A tristeza não é um fracasso da fé. Mas ela já não é o que dá a palavra final. Séculos antes de João, Isaías já tinha enxergado esse mesmo futuro e o descreveu como o dia em que Deus aniquilaria a morte para sempre. A Escritura inteira se inclina em direção a ele.

Então, se você está lendo isto com o coração pesado, talvez no aniversário de uma perda, ouça o versículo pelo que ele é: uma promessa que se segura na mão, não uma resposta arrumadinha. As lágrimas estão contadas. Vem aí o dia em que a mão que o formou enxugará as últimas delas, e elas não voltarão.

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Uma visão dada a um homem no exílio

Importa saber quem ouviu estas palavras primeiro, e onde. João não estava escrevendo de um gabinete confortável. Ele mesmo nos conta que estava em Patmos, uma pequena ilha rochosa no Egeu, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Apocalipse 1:9), que é um modo gentil de dizer que havia sido banido para lá por se recusar a ficar calado sobre a sua fé. Quando escreve, perto do fim do primeiro século, ele quase certamente já viu amigos morrerem pela mesma recusa.

Portanto, isto não é o devaneio de alguém que teve uma vida fácil e acha agradável imaginar o céu. É uma promessa entregue a um velho enlutado numa ilha-prisão, exatamente no ponto em que se esperaria que a esperança já houvesse se esgotado. É nesse cenário que Deus lhe mostra um novo céu e uma nova terra.

Para mim, isso é firme chão sob os pés. O versículo mais consolador da Bíblia sobre o fim de toda tristeza não foi dado a alguém que tivesse sido poupado da tristeza. Foi dado a alguém que estava no meio dela. Seja o que for este versículo, ele não é ingênuo.

Deus vindo morar conosco, não nós indo embora

Costumamos imaginar a esperança cristã como um flutuar para cima e para longe, rumo às nuvens, deixando o mundo para trás. O versículo logo antes deste diz quase o oposto. João ouve uma grande voz anunciar que o tabernáculo de Deus está com os homens, e que ele habitará com eles (Apocalipse 21:3). A direção do movimento é para baixo. O céu vem para cá. Deus vem morar conosco.

A palavra traduzida por habitação carrega a ideia de uma tenda ou tabernáculo, a tenda em que a presença de Deus repousava entre Israel no deserto. É a mesma raiz que João buscou no começo do seu Evangelho, quando escreveu que o Verbo se fez carne e habitou entre nós, literalmente armou a sua tenda entre nós (João 1:14). O que começou em Belém numa única vida se completa aqui em escala cósmica: Deus permanentemente em casa com o seu povo, sem véu, sem distância.

Isso muda o jeito como eu leio “toda lágrima”. Isto não é fuga. Não é o mundo sendo abandonado como um experimento fracassado. É o mundo sendo restaurado, e o próprio Deus vindo morar no meio dele. A nova criação não é menos física do que esta. É mais real, não menos.

Uma promessa antiga, enfim cumprida

João não está inventando uma ideia nova. Ele está vendo uma ideia antiga se tornar realidade. Séculos antes, o profeta Isaías havia enxergado esse mesmo dia e o descreveu quase com as mesmas palavras: Deus “aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos” (Isaías 25:8).

Vale notar isto, porque mostra que a promessa não é um acréscimo tardio, colado para que uma história triste termine bem. O anseio de que a morte seja desfeita atravessa a Bíblia inteira. Jó suspira por ele. Os Salmos clamam por ele. Isaías o vê de longe. Paulo cita Isaías e diz que, quando isso acontecer, “Tragada foi a morte na vitória” (1 Coríntios 15:54). Apocalipse 21 é o momento para o qual toda a biblioteca vem se inclinando desde o princípio.

Há uma bela simetria nisso. A Bíblia se abre num jardim, com uma árvore da vida e um rio, e a humanidade é mandada embora. Ela se encerra com a árvore da vida e o rio restaurados, e a humanidade acolhida em casa para sempre (Apocalipse 22). A história não termina onde começou. Ela termina melhor, com o estrago não apenas reparado, mas superado.

O Deus que enxuga lágrimas com a própria mão

Leia o gesto devagar, porque a ternura dele é a questão inteira. “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima.” Não um anjo. Não um estranho gentil. O próprio Deus, inclinando-se sobre um rosto que ele conhece, fazendo a coisa pequena e íntima que um pai faz por uma criança assustada no meio da noite.

Duas pequenas palavras carregam muito peso. “Toda” não deixa nada de fora: as lágrimas que você chorou em público e aquelas que nunca contou a ninguém, o luto que fazia sentido e o luto que o constrangeu. E “de seus olhos” torna tudo pessoal. Não se trata da tristeza sendo abolida como uma estatística. Trata-se do seu rosto, e da mão dele.

Repare também no que o versículo não diz. Ele não diz que a sua dor foi tola, nem que você deveria ter aguentado melhor, nem que aquilo nunca doeu de verdade. Ele diz que as lágrimas são reais o bastante para precisarem ser enxugadas, e que esse enxugar será feito por Deus em pessoa. Até Jesus chorou diante do túmulo do seu amigo Lázaro, sabendo que faltavam minutos para ressuscitá-lo. A tristeza não é um fracasso da fé. Ela apenas não tem permissão para a palavra final.

Uma esperança que deixa você sofrer com honestidade

Já me sentei com pessoas no aniversário de uma perda, e aprendi a nunca usar este versículo como um jeito de apressar alguém para além da sua dor. Usado assim, ele se torna cruel, um modo de dizer a alguém que pare de chorar. Não é para isso que ele serve.

O que este versículo oferece não é um motivo para sofrer menos, mas um motivo para sofrer sem desespero. Há uma frase famosa de Paulo, a de que não nos entristecemos como os outros, que não têm esperança (1 Tessalonicenses 4:13). Leia com cuidado: ele dá por certo que vamos sofrer. É claro que vamos. Ele só pede que o nosso luto seja do tipo que tem horizonte, um luto que chora e, ao mesmo tempo, sabe que o choro tem um fim e tem alguém que o encerra.

Por isso eu seguro este versículo como se segura a promessa de alguém digno de confiança, não como uma resposta arrumadinha que faz a dor desaparecer hoje. A cadeira vazia continua vazia neste Natal. O diagnóstico continua assustando. E, ao mesmo tempo, a mão que o formou contou cada lágrima e prometeu, ela mesma, enxugar as últimas delas, e elas não voltarão.

Perguntas para meditar

São perguntas mansas, para você sozinho ou para um grupo. Vá devagar, e deixe espaço para quem carrega uma perda recente.

  • Muda alguma coisa para você saber que esta promessa foi dada primeiro a alguém no meio do sofrimento, e não a alguém poupado dele?
  • Costumamos imaginar o céu como um sair daqui. Como soa diferente ouvir que é Deus quem vem morar aqui, conosco?
  • O versículo retrata Deus enxugando lágrimas com a própria mão. O que significaria deixá-lo chegar assim tão perto do seu luto, em vez de mantê-lo arrumado e guardado só para você?
  • Qual é a diferença, para você, entre sofrer sem esperança e sofrer com um horizonte?

Se você está carregando algo pesado, não precisa carregar sozinho. Você pode ler isto ao lado de outros versículos sobre o luto e versículos sobre a esperança, ou encontrar uma palavra para hoje entre os versículos para o que você está sentindo.

Versículos que falam sobre isto

  • Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo; porque o Senhor o disse.

    Isaías 25:8

  • Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

    Mateus 5:4 →
  • Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória.

    1 Coríntios 15:54

  • Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.

    Salmo 34:18 →

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