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Isaías 5:7

A Vinha do Senhor dos Exércitos

Por The 316 Quotes Team

Pois a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercessem juízo, mas eis aqui derramamento de sangue; justiça, e eis aqui clamor.

Isaías 5:7 Almeida (domínio público)

O que significa Isaías 5:7?

Isaías 5:7 explica o seu cântico da vinha. Deus plantou e cuidou de Israel com imenso zelo, ansiando por uma colheita de juízo e justiça, mas encontrou opressão e o clamor dos feridos. O versículo mostra a tristeza de Deus diante de vidas sem fruto e o amor profundo que plantou a vinha desde o início.

Quem já tentou fazer alguma coisa crescer conhece a dor específica de quando aquilo não vinga. Você prepara a terra, escolhe o melhor que pode pagar, rega e espera, e ainda assim aquilo murcha ou azeda. Isaías abre este capítulo com um cântico sobre exatamente isso, uma canção de amor a respeito de uma vinha, e o versículo sete é a linha que enfim nos diz quem é a vinha.

O lavrador da canção faz tudo certo. Escolhe uma encosta fértil, revolve a terra, tira as pedras, planta as melhores vides e até ergue uma torre e cava um lagar, porque tem certeza de uma boa colheita. Aí vem a dor. As uvas que crescem são bravas e amargas. E agora Isaías diz o nome sem rodeios. “Pois a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias”. O lavrador desapontado é Deus, e a vinha é o seu próprio povo.

O que ele esperava colher? O versículo nos conta com uma tristeza impossível de ignorar. “e esperou que exercessem juízo, mas eis aqui derramamento de sangue; justiça, e eis aqui clamor”. Ele lhes havia dado tudo, e ansiava por encontrar vidas marcadas pela retidão e pela bondade. Em vez disso, encontrou gente sendo esmagada, e o som do choro subindo onde deveria haver fruto.

Seria fácil ler isso como Deus simplesmente irado, mas escute de novo a ternura que há por trás. Ninguém ergue uma torre e cava um lagar por uma vinha que não ama. A mesma mão que plantou com tanta esperança é a mão que agora se entristece diante da colheita. A sua tristeza é a medida do seu cuidado.

A pergunta que o cântico de Isaías deixa no ar é tão delicada quanto inquietante. Deus cuidou da sua vida também, deu-lhe todo carinho, regou-a com paciência. O que está crescendo aí? Você não precisa responder com vergonha. Séculos depois, Jesus esteve entre os seus amigos e ofereceu o caminho de volta: permanecer nele, a videira verdadeira, e o bom fruto vem a seu tempo. O lavrador não desistiu da sua vinha. Ele ainda anseia por uma colheita de juízo e por uma vida doce e bondosa que venha da sua.

Aprofunde em Isaías 5:7

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A canção de amor que vira sentença

Isaías atuou em Jerusalém e em Judá na segunda metade do século oitavo antes de Cristo, ao longo dos reinados que o livro nomeia logo no começo: Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Isaías 1:1). As vinhas eram comuns naquelas encostas, então a imagem soaria corriqueira, não abstrata. O que acho ousado é o modo como ele começa. Ele parte como quem vai cantar uma terna canção de amor por um amigo, a respeito da vinha dele (Isaías 5:1), e as pessoas se aproximariam esperando algo caloroso. A armadilha se fecha devagar. Já no versículo sete o cantor se volta, e os ouvintes percebem que a vinha desapontadora são eles mesmos. É um profeta que consegue ser ouvido por vias indiretas, muito parecido com a abordagem de Natã diante de Davi, comparação que os comentaristas costumam fazer. Você se vê concordando com a canção antes de entender que está concordando com a sua própria condenação. É difícil fazer isso com uma plateia, e Isaías o faz com uma delicadeza que só torna a sentença mais pesada.

Juízo e derramamento de sangue, quase a mesma palavra

A nossa língua carrega a dor, mas o hebraico faz algo que uma tradução não consegue mostrar por inteiro. No original, a palavra para o juízo que Deus buscava e a palavra para o derramamento de sangue que ele encontrou soam quase idênticas, e essa mesma quase-coincidência se repete entre a palavra para a justiça e a palavra para o clamor. Deus procurou uma coisa e topou com o seu gêmeo sombrio, e a tragédia inteira pende dessa fina margem de som. Acho que é aí que vale demorar. A distância entre o que Deus esperava e o que encontrou não era um abismo evidente. Era um quase, uma vida que por pouco não parecia certa. O que ele lamenta aqui não é o paganismo escancarado, e sim o fracasso respeitável, fruto que de longe parecia uva e azedou na boca. Isso me inquieta mais do que a rebeldia aberta, porque o fracasso respeitável é justamente o tipo que tenho mais facilidade de ignorar em mim mesmo.

De uma vinha brava à única videira verdadeira

Essa imagem não fica parada em Isaías. A vinha se torna um dos longos fios das Escrituras. O Salmo 80 implora a Deus por uma vide que ele trouxe do Egito e depois pareceu deixar exposta ao perigo. Séculos mais tarde, Jesus conta uma parábola de lavradores numa vinha que espancam os servos do dono e por fim matam o filho dele (Marcos 12:1-9), e quem ouvia sabia exatamente qual canção antiga estava por trás dela. Ele estava se nomeando como o herdeiro, enviado a uma vinha que já havia partido o coração de Deus antes. Então ele diz algo que a canção jamais poderia dizer. Ele não apenas se posta sobre a vinha; ele se torna a videira (João 15:5): “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. Onde Israel produziu uvas bravas, Jesus é a única videira verdadeira que dá o fruto que Deus sempre desejou. Essa é a virada que o cântico de Isaías deixa em aberto, mas não pode oferecer sozinho. O juízo e a justiça que Deus procurou nas fileiras e não achou, ele mesmo os fez crescer no seu Filho, e agora os faz crescer em nós enquanto permanecemos unidos a ele.

O que faço com isso quando o meu próprio fruto é escasso

É tentador ler uma passagem assim e atribuir o fracasso discretamente a outra pessoa: os antigos reis, as cortes corruptas, os que esmagavam o pobre. Mas a canção fica pessoal assim que começa a se mover, e aprendi a não me esquivar dela. Quando olho com honestidade para uma semana difícil, quase sempre encontro as pequenas opressões. O colega com quem fui ríspido. O pagamento que adiei a alguém que precisava dele. O clamor que ouvi e decidi não ouvir. O fruto azedo raramente parece dramático por dentro; parece só cansaço e o instinto de se proteger. O que impede isso de me esmagar é que o mesmo Deus que inspeciona a vinha é aquele que, em Cristo, desceu para trabalhá-la. Miqueias 6:8 reduz tudo ao que ele de fato pede: “que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus”. Isso é possível hoje, numa única conversa, muito antes de qualquer colheita estar pronta. Não preciso produzir uma safra até sexta. Preciso permanecer na videira e deixar o fruto do Espírito crescer no seu próprio ritmo lento (Gálatas 5:22-23). O juízo muitas vezes começa assim, bem pequeno.

Perguntas para meditar
  • Onde, na minha vida agora, há algo que de fora parece uma videira saudável, mas de perto tem gosto azedo, esse quase entre o que Deus esperava e o que de fato está crescendo?
  • Existe um clamor específico que eu bem poderia ter escutado nesta semana e, em silêncio, escolhi não atender?
  • O lavrador ergueu uma torre e cavou um lagar antes de chegar qualquer colheita. Consigo confiar que o cuidado que Deus já me mostrou significa que ele não desistiu do fruto?
  • Qual é um pequeno ato de juízo ou de misericórdia, do tipo que Miqueias nomeia, que eu poderia fazer já amanhã em vez de algum dia?

Se quiser continuar meditando nisto, vale conhecer mais do livro de Isaías ou encontrar um versículo para o que você está sentindo hoje.

Versículos que falam sobre isto

  • Ora, seja-me permitido cantar para o meu bem amado uma canção de amor a respeito da sua vinha. O meu amado possuía uma vinha num outeiro fertilíssimo. E, revolvendo-a com enxada e limpando-a das pedras, plantou- a de excelentes vides, e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas, mas deu uvas bravas.

    Isaías 5:1-2

  • Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

    João 15:5

  • Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?

    Miqueias 6:8

  • Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.

    Gálatas 5:22-23 →

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