Gálatas 5:22-23
O fruto do Espírito
Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.
O que significa Gálatas 5:22-23?
Gálatas 5:22-23 descreve o caráter que o Espírito de Deus faz crescer no crente ao longo do tempo: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Paulo chama isso de fruto, e não de conquista, porque amadurece devagar enquanto caminhamos com Deus. Nenhuma lei o produz, e nenhuma lei se opõe a ele.
Repare na palavra que Paulo escolhe. Não as obras do Espírito, mas o fruto. Ele acabou de descrever as obras da carne, uma lista longa e feia de coisas que as pessoas fazem, e agora muda a imagem por completo. Fruto não se fabrica. Ele cresce. Nenhuma macieira se esforça nem cerra os dentes para produzir maçãs. Ela apenas permanece enraizada, absorve o que precisa, e na estação certa o fruto aparece. Essa única palavra redefine, sem alarde, o modo como pensamos sobre nos tornar pessoas melhores.
Também importa que o fruto esteja no singular. Ele não diz frutos, como se você pudesse colher os mais agradáveis e deixar a paciência de lado. É um só cacho, crescido em conjunto, e a maioria de nós percebe bem onde o seu amadureceu de forma desigual. Conseguimos ser gentis com um estranho e ásperos com quem mora em casa. Temos paz numa semana boa e nenhuma quando chega o diagnóstico, ou quando a mesma velha discussão recomeça à mesa da cozinha.
É essa a honestidade lenta deste versículo. O Espírito faz crescer esse caráter em nós ao longo de anos, muitas vezes pelas mesmas situações que teríamos escolhido evitar. A paciência se aprende na espera. A mansidão aparece no instante em que somos provocados e, de algum modo, não explodimos, e o domínio próprio é, na maior parte, uma questão das pequenas decisões: diante da geladeira, ou na fração de segundo antes de enviarmos a mensagem da qual vamos nos arrepender.
E então aquela última frase, fácil de ignorar: “contra estas coisas não há lei.” Não existe regra em lugar algum dizendo que você pode amar demais, ou ser gentil demais. Ninguém jamais foi acusado de excesso de bondade. A vida cristã não é uma corda bamba de proibições. É uma árvore a quem se deu espaço para crescer.
Então, se você lê a lista e sente o quanto está distante dela, está lendo bem. Nenhum de nós produz isso por conta própria, e não é para isso que fomos feitos. Cada nome ali é, antes de tudo, uma descrição do próprio Deus, de como ele tem sido com você. Permaneça enraizado nele. O fruto vem na sua estação.
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A lista que responde a uma lista feia
Para sentir o peso destes dois versículos, é preciso ler o que vem logo antes deles. Paulo escreve às igrejas da Galácia em verdadeira aflição, porque outros mestres haviam chegado depois dele e dito a esses novos crentes que confiar em Cristo não era bem o suficiente, que eles precisavam também das marcas da lei judaica por cima. Já no capítulo cinco ele constrói o seu argumento de que a vida cristã se move pelo Espírito, e não pelo cumprimento de regras. Por isso ele coloca duas imagens lado a lado. Primeiro as obras da carne (Gálatas 5:19 a 21), um catálogo longo e sombrio do que o eu produz quando comanda o próprio espetáculo. Depois, com uma virada deliberada, o fruto do Espírito.
O contraste está fazendo um trabalho de verdade. Uma coluna é o que nós fabricamos; a outra é o que cresce dentro de nós. Paulo não está entregando aos gálatas um novo conjunto de padrões para escalar. Ele está descrevendo como começa a ser uma vida genuinamente entregue ao Espírito de Deus, de dentro para fora. A lista, eu penso, é uma resposta. Ela responde a uma velha acusação de que a graça torna as pessoas preguiçosas ou sem lei. A resposta de Paulo é que a graça faz crescer um tipo de pessoa que nenhuma lei jamais poderia produzir.
Nove nomes, e a palavra do jardineiro por baixo deles
Há uma escolha deliberada no grego aqui, e ela recompensa quem olha de perto. A palavra traduzida por fruto é karpos, a palavra comum para aquilo que uma árvore ou videira dá. Paulo recorre a ela em vez da palavra que tinha acabado de usar para a carne, a palavra para obras. Essa troca é o argumento inteiro em miniatura. Obras são o que as mãos fazem. Fruto é o que uma vida faz quando está enraizada e alimentada.
E ela permanece no singular do começo ao fim. Paulo não escreve frutos, como se o amor, a alegria e o resto fossem nove colheitas separadas entre as quais você pudesse escolher. É uma só colheita com muitos sabores. Eu entendo isso como sinal de que essas qualidades chegam juntas e pertencem umas às outras, e é por isso que dói me encontrar paciente mas frio, ou alegre em público e ríspido em casa. Repare também onde a lista começa e termina. O amor vem primeiro, a qualidade que Paulo já chamou de cumprimento de toda a lei (Gálatas 5:14). O domínio próprio vem por último, justamente aquilo de que a carne não tem nada. A ordem não é aleatória. Ela corre do calor que está no centro do próprio caráter de Deus até a firmeza que ele produz no nosso.
Contra estas coisas não há lei
Essa frase final é a mais fácil de passar batido e uma das mais libertadoras da carta: “contra estas coisas não há lei.” Ela chega tão de mansinho que podemos perder o quanto é surpreendente. Depois de páginas de argumento sobre a lei, Paulo encerra a lista quase com um dar de ombros. Nenhum estatuto na terra jamais foi escrito para conter o amor. Nenhum tribunal jamais condenou alguém por excesso de bondade ou por mansidão demais.
Acho que isso importa enormemente para o modo como imaginamos a vida cristã. É tentador imaginar a fé como um longo corredor de portas trancadas, uma corda bamba de proibições pela qual você avança aos poucos torcendo para não cair. Paulo destrói essa imagem. O fruto que ele descreve não tem limite máximo nem cerca de fronteira. Você não consegue exagerar na bondade. Simplesmente não há nada do outro lado dessas qualidades para uma lei resistir. A vida do Espírito não é um parapeito estreito. É campo aberto. Essa nova maneira de enxergar fez mais para afrouxar os meus instintos ansiosos de contar regras do que quase qualquer outra coisa em Paulo.
Cada nome da lista é, antes, um nome para Deus
Esta é a conexão que mudou o modo como eu leio estes versículos. Antes de esse fruto ser uma descrição de mim, ele é uma descrição do próprio Deus, e de Cristo em particular. Amor, alegria, paz, paciência: não são virtudes abstratas flutuando soltas. São justamente as coisas que Deus tem sido conosco. Paulo já falou nesta carta de um Cristo que o amou e se entregou por ele (Gálatas 2:20). A paciência é a paciência que suportou a minha conversão lenta. A bondade é a bondade que me trouxe para casa.
Jesus disse isso de forma simples, numa imagem sobre a qual Paulo parece estar firmado. Ele se chamou de videira e nos chamou de varas, e disse: “Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” Uma vara não se esforça para produzir uvas. Ela permanece unida à videira e deixa a vida fluir por ela. Esse é o segredo escondido dentro da palavra fruto. Não estamos sendo chamados a gerar amor e alegria a partir da nossa própria madeira seca. Estamos sendo chamados a permanecer ligados àquele que é amor e alegria, e a deixar que o caráter dele se torne o nosso pela pura conexão. O fruto é a vida dele, vindo à tona em nós.
Onde o fruto está amadurecido de forma desigual
Vou ser sincero sobre onde isso me pega, porque o perigo com uma lista como esta é admirá-la a uma distância segura. O fruto costuma ser testado exatamente onde eu preferiria que não fosse. A paciência não se aprende numa tarde livre; aprende-se na fila, na sala de espera, na terceira semana de uma doença que não passa. A mansidão se mostra não quando estou calmo, mas na fração de segundo depois que alguém me provoca, quando eu ou perco a paciência ou, de algum jeito, me seguro. O domínio próprio raramente tem a ver com a grande resolução. É a coisa pequena: a mensagem que rascunho com raiva e então, por pouco, decido não enviar.
O que me firma é lembrar que o fruto amadurece devagar e no seu próprio tempo. Não consigo apressar uma maçã, e também não consigo apressar isto. Há estações em que uma qualidade parece quase ausente e outra está, de repente e de forma surpreendente, presente. Essa desigualdade não é fracasso; é o que o crescimento realmente parece de perto. Por isso, quando leio os nove nomes e sinto a distância entre eles e mim, aprendi a tomar essa dor como um bom sinal, e não como uma sentença. Significa que estou lendo o versículo com honestidade. A resposta nunca é cerrar os dentes e tentar fabricar o que falta. É permanecer enraizado, e pedir ao Jardineiro por isso.
Perguntas para meditar
- Qual destas nove qualidades está mais claramente crescendo em mim agora, e qual mal está brotando, e o que essa desigualdade pode estar me dizendo?
- Quando percebo que falta uma qualidade, eu recorro primeiro à força de vontade, ou volto à videira e a peço?
- Onde, no atrito comum desta semana, Deus me mostrou uma paciência ou uma bondade que eu ainda não mostrei aos outros?
- Se “contra estas coisas não há lei”, onde ainda vivo como se a fé fosse principalmente uma lista de coisas a não fazer?
Se você quiser continuar lendo a carta de Paulo, pode percorrer mais textos deste livro ou encontrar um versículo para o lugar em que o seu coração estiver hoje.
Versículos que falam sobre isto
-
Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
João 15:5
-
(pois o fruto da luz está em toda a bondade, e justiça e verdade),
Efésios 5:9
-
Revestí-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade,
Colossenses 3:12
-
Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.
Mateus 7:17
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