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Salmo 91:1-2

Abrigo à sombra do Todo-Poderoso

Por The 316 Quotes Team

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio.

Salmo 91:1-2 Almeida (domínio público)

O que significa Salmo 91:1-2?

O Salmo 91:1-2 promete que quem faz de Deus o seu lar, e não apenas um visitante de vez em quando, encontra um descanso firme à sua sombra. O versículo acumula nomes para ele: Altíssimo, Todo-Poderoso, o Senhor, refúgio, fortaleza. Tudo gira em torno da confiança. Quando o perigo e o medo se aproximam, o próprio Deus é o lugar seguro onde moramos, e não apenas aquele para onde corremos.

Há um peso silencioso já na primeira palavra: habita. Não visita, não passa por ali quando o pânico sobe, mas habita. O salmo descreve alguém que fez de Deus o seu lar, que mora na sua presença do mesmo modo como você mora numa casa, e promete que essa pessoa, “à sombra do Todo-Poderoso descansará”. A sombra parece coisa pequena, até você ter ficado exausto sob um sol implacável, sem nenhum lugar para se esconder. Aí ela passa a ser tudo.

Repare em como o versículo empilha os nomes de Deus. Altíssimo. Todo-Poderoso. O Senhor. Meu refúgio, minha fortaleza, meu Deus. Dois versículos curtos, e eles amontoam imagem sobre imagem, como se nenhuma palavra sozinha pudesse carregar a verdade inteira. O Altíssimo é aquele que está acima de todo poder que nos amedronta. O Todo-Poderoso é aquele cuja força corresponde ao título. E, ainda assim, esse mesmo Deus oferece um “esconderijo”, uma intimidade, um lugar escondido e perto. Ele é vasto o bastante para reinar sobre os céus e próximo o bastante para que nos escondamos nele.

Então o segundo versículo se torna pessoal, e é aqui que está o trabalho de verdade. “Direi do Senhor.” Não “as pessoas dizem”, nem “costuma ser verdade que”. Quem escreve escolhe falar, em voz alta, contra tudo o que está fechando o cerco. A fé, aqui, não é um sentimento que chega sozinho. É a decisão de nomear Deus como o seu refúgio antes mesmo de você se sentir especialmente seguro.

A maioria de nós vive ao contrário. Tratamos Deus como a saída de emergência: é bom saber que ela está ali, mas só corremos para ela quando a sala se enche de fumaça. Este versículo pede mais, com delicadeza. Pede que a gente se mude para dentro. Que leve a ele a terça-feira comum, a má notícia ao telefone, o diagnóstico, a preocupação que tira o sono às três da manhã, e que continue chamando-o de o seu refúgio e a sua fortaleza. Diga isso hoje à noite, ainda que baixinho, ainda que a sua voz trema. A sombra já está ali, e você é bem-vindo a descansar nela.

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Um salmo que esconde o seu autor de propósito

Uma das primeiras coisas que noto no Salmo 91 é aquilo que ele se recusa a me contar. Muitíssimos salmos trazem um pequeno cabeçalho, nomeando Davi, ou Asafe, ou os filhos de Coré, às vezes a melodia ou a ocasião por trás das palavras. Este não traz nada. Não sabemos quem o escreveu nem quando, e prefiro dizer isso com franqueza a inventar uma história para preencher a lacuna. O que podemos afirmar é onde ele está situado. No arranjo hebraico, ele cai naquilo que costuma ser chamado de Quarto Livro, a sequência de salmos que vai do 90 em diante, que muitos leem como Israel se debatendo com o exílio e a perda, com a pergunta de onde Deus está quando o seu povo se sente sem casa. O salmo logo antes dele, o Salmo 90, é um olhar sóbrio sobre o quanto a vida é curta e frágil. Então vem este, quase como uma resposta: sim, você é frágil, e aqui está onde o frágil pode morar. Acho essa ordem discretamente proposital. O nome ausente também ajuda. Sem nenhuma figura famosa ligada a ele, o abrigo parece entregue a qualquer um disposto a recebê-lo.

Quatro nomes para Deus, empilhados do cósmico ao próximo

Leia esses dois versículos devagar e você verá quem escreve buscar a Deus por quatro nomes diferentes em rápida sucessão, do jeito que você descreveria alguém que ama por vários ângulos, porque nenhuma palavra sozinha o contém. “Altíssimo” é Elyon, o Deus erguido acima de toda autoridade que algum dia poderia me amedrontar. “Todo-Poderoso” é Shaddai, um título antigo e um pouco misterioso, que carrega o sentido de uma força avassaladora, o nome pelo qual Deus se revelou a Abraão, Isaque e Jacó. “O Senhor”, em versalete, representa o nome da aliança, o nome pessoal pelo qual ele se deu a conhecer a Moisés, o Deus que se liga ao seu povo por meio de uma promessa. E então, simplesmente, “o meu Deus”. Aprendi a ler esse acúmulo não como enfeite, mas como um argumento sendo construído. O poeta está dizendo que Aquele que é o mais alto, Aquele que é o mais forte, Aquele que é fiel à sua própria palavra, é o mesmo a quem ele ousa chamar de seu. O que mais me toca é a direção do percurso desses nomes, deslizando do título mais cósmico até o mais íntimo, como se todo o propósito fosse fechar a distância entre o céu e uma única pessoa que treme.

Por que sombra e um quarto escondido, e não muralhas

As duas imagens no centro desses versículos são mais ternas do que parecem à primeira vista. Um “esconderijo” e uma “sombra” não são fortificações. Não são muralhas e armas. Uma sombra cai porque algo maior está de pé entre você e o calor, e um esconderijo é um lugar escondido e perto, quase doméstico. É fácil deixar isso passar quando estamos com medo, porque o medo nos faz desejar uma armadura, e o que a abertura deste salmo oferece, em vez disso, é sombra e proximidade. O poema de fato segue em frente e nomeia a peste, as flechas e o terror da noite, perigos reais ditos sem recuar. Mas o chão lançado nessas duas primeiras linhas não é uma fortaleza eriçada de defesas; é o lugar fresco e coberto ao lado de alguém maior do que a ameaça. Jesus recorre exatamente à mesma imagem quando anseia por reunir Jerusalém como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas. Vale dizer com cuidado que o diabo cita uma linha posterior deste mesmo salmo na tentação, e Jesus não permite que uma promessa de abrigo seja torcida e vire um desafio. A sombra é um lugar para descansar, nunca um truque a ser arriscado.

O lar firme e o Filho sem travesseiro

Há um fio aqui que corre por toda a extensão até os Evangelhos, e ele me pegou de surpresa na primeira vez que o tracei. O salmo promete uma morada firme, um lar em Deus, e, no entanto, o Filho de Deus disse de si mesmo que não tinha onde reclinar a cabeça. Aquele que é o esconderijo do Altíssimo andou pelos caminhos da Galileia sem abrigo fixo próprio. Não creio que isso esvazie a promessa. Creio que isso a paga. Cristo tomou para si a exposição, a noite sem teto, a cruz sem conforto, para que o abrigo pudesse ser escancarado a pessoas como eu, que não tinham direito a ele. O vocabulário de refúgio e fortaleza deste salmo segue adiante pela Escritura, entrando no Salmo 18 e no Salmo 46, e em Provérbios 18:10, onde o próprio nome do Senhor é uma torre forte para a qual o justo corre e fica seguro. No fechamento da história, no Apocalipse, a imagem se firma de vez: Deus habitando com o seu povo e enxugando toda lágrima. A sombra se torna um lar que não termina.

O que o habitar realmente me custa

Aqui é onde a coisa fica honesta, em vez de arrumadinha. O verbo no versículo um não é “visita”, mas “habita”, e habitar tem um custo que visitar evita: pede que eu traga a Deus o meio sem graça de uma semana, e não apenas as suas emergências. Qualquer um pode clamar a ele quando os resultados do exame estão a caminho. Viver nele significa confiar na mesma sombra numa quarta-feira qualquer, sem graça nenhuma, quando nada em particular está errado e nada em particular parece santo. Descobri que a parte difícil não é o medo, por estranho que pareça, mas o esquecimento que vem depois do alívio, o jeito como um mês tranquilo me convence, sem alarde, de que eu nem preciso de abrigo. Por isso comecei a manter o esconderijo em uso quando nenhuma crise o exige, chamando-o de meu refúgio em momentos pequenos e sem importância, na escada, na fila, antes que o dia me peça qualquer coisa. Parece simples demais para contar. Mas uma morada se constrói com o voltar, e não com um único resgate dramático, e estou aprendendo aos poucos que a sombra nunca foi a saída. Era o quarto onde eu devia estar morando desde sempre.

Perguntas para levar consigo
  • O verbo é “habita”. O que mudaria numa semana comum e tranquila se eu tratasse Deus como o lugar onde moro, e não como o lugar para quem ligo em pânico?
  • Dos quatro nomes aqui, Altíssimo, Todo-Poderoso, o Senhor, o meu Deus, de qual o meu coração mais precisa hoje, e o que isso revela sobre onde estou?
  • O perigo, para mim, muitas vezes não é o medo, mas o esquecimento depois que ele passa. Que prática poderia manter o esconderijo em uso diário quando nada está errado?
  • O Filho que é o nosso abrigo não tinha onde reclinar a própria cabeça. Como muda o jeito de receber esta promessa saber o que custou a ele abri-la?

Se você quiser ficar mais um pouco com o Deus que abriga, pode seguir a leitura pelo livro dos Salmos, ou procurar versículos reunidos para aquilo que você está sentindo, quando o medo é o que aperta o cerco.

Versículos que falam sobre isto

  • Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.

    Salmo 46:1 →
  • O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em quem me refúgio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.

    Salmo 18:2 →
  • Torre forte é o nome do Senhor; para ela corre o justo, e está seguro.

    Provérbios 18:10

  • Pois no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no recôndito do seu tabernáculo me esconderá; sobre uma rocha me elevará.

    Salmo 27:5

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