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Romanos 13:10

O Amor Não Faz Mal ao Próximo

Por The 316 Quotes Team

O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.

Romanos 13:10 Almeida (domínio público)

O que significa Romanos 13:10?

Romanos 13:10 resume toda a lei moral numa única linha. O amor não faz mal ao próximo, então o amor verdadeiro já guarda cada mandamento que Deus deu sobre a forma como tratamos uns aos outros. Quem ama de verdade não mente, não engana nem fere. O amor cumpre o que as regras sempre buscaram.

Paulo faz uma afirmação marcante neste versículo curto. “O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.” Ele acabara de percorrer alguns dos mandamentos, não matarás, não furtarás, não adulterarás, não cobiçarás, e aponta uma verdade discreta, quase óbvia. Você nunca vai infringir nenhum deles contra uma pessoa que ama de verdade. O amor não é uma alternativa mais branda à lei. É a lei já cumprida, de dentro para fora.

Vale ser sincero sobre o quanto a palavra amor ficou gasta. Usamos a palavra para quase tudo, o tempo lá fora, um sanduíche, um filme, e em algum ponto do caminho ela passou a significar pouco mais que um sentimento agradável ou a vontade de ter a atenção de alguém. A Escritura quer dizer algo mais duro e mais terno do que isso. O amor que Paulo tem em mente é paciente, recusa-se a guardar mágoa e coloca os outros à frente de si mesmo. Tem muito menos a ver com o que sentimos e muito mais com o modo como agimos quando ninguém está olhando.

Quando você passa a ver o amor como o cumprimento da lei, os mandamentos deixam de parecer uma cerca e começam a parecer uma descrição. Não furtarás é simplesmente o que o amor já faz de qualquer modo. Não mentir, não trair, não usar uma pessoa pelo que se pode tirar dela. Nada disso precisa ser imposto a quem tem o coração voltado para o bem das pessoas ao seu redor. Jesus disse a mesma coisa quando chamou de segundo maior mandamento o amar o próximo, perdendo apenas para o amor a Deus.

A boa notícia, e é um alívio, é que esse tipo de amor se aprende fazendo, não esperando senti-lo. C.S. Lewis disse isso com simplicidade. Não perca seu tempo se perguntando se você ama o seu próximo, escreveu ele. Aja como se amasse, e logo passará a amá-lo de fato.

Então escolha uma pessoa hoje e comece por aí. Uma promessa cumprida, uma palavra gentil, um pequeno gesto de honestidade. Não faça nenhum mal, e deixe o amor cumprir, em silêncio, tudo o que a lei sempre pediu.

Aprofunde em Romanos 13:10

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Uma carta a uma igreja que Paulo ainda não conhecia

A maioria das cartas de Paulo foi escrita a congregações que ele havia fundado e conhecia pelo nome. Romanos é a exceção. Ele ainda não tinha estado em Roma quando a escreveu, e diz isso com todas as letras: ansiava por visitá-los, mas até então fora impedido (Romanos 1:11 a 13). A maioria dos estudiosos acredita que ele a escreveu de Corinto, perto do fim dos anos 50, embora o lugar e a data sejam uma reconstrução razoável, e não algo que a própria carta afirme. Isso muda o modo como leio o capítulo 13. Paulo não está resolvendo uma desavença particular que já conhecia. Ele está expondo, com cuidado e para pessoas que nunca viu, como é a vida cristã comum depois que a graça toma conta.

E os crentes em Roma formavam uma casa misturada. Alguns vinham de origem judaica, outros de origem gentia, e tinham instintos diferentes quanto a comida, dias santos e os antigos mandamentos. Dá para ouvir essa tensão atravessando os capítulos 14 e 15. No meio dessa mistura Paulo solta uma frase que coloca todos no mesmo nível. Seja qual for a sua origem, sejam quais forem as regras que você guarda ou deixou de guardar, o amor é aquilo que a lei sempre buscou. Acho que ainda hoje soa como uma palavra de unidade a uma mesa dividida.

O versículo desce antes de subir

Repare na ordem. O versículo vai do negativo ao positivo. “O amor não faz mal ao próximo” vem primeiro: o piso, a linha que simplesmente não se cruza. “De modo que o amor é o cumprimento da lei” vem em seguida: a coisa toda levada à plenitude. O substantivo grego por trás dessa segunda parte carrega o sentido de plenitude, de algo cheio até a borda, e Paulo vinha rodeando essa ideia desde o versículo 8, onde diz que quem ama o próximo já cumpriu a lei. Jesus usa a mesma família de palavras em Mateus 5:17, quando diz que veio não para abolir a lei, mas para cumpri-la.

O que eu quase sempre deixo passar é o motivo de Paulo colocar primeiro a afirmação mais modesta. Antes de ser algo grandioso ou caloroso, o amor é contenção. É a mão que não toma e a palavra que não fere. Ele começa pelo piso de propósito, acho eu, porque é aí que o amor pode ser testado. Acerte o não fazer mal, e você já terá começado a guardar cada mandamento que Deus deu sobre a forma como as pessoas tratam umas às outras.

Um mandamento antigo em que Jesus e Paulo se apoiaram

Paulo não inventou isso. Ele está voltando a Levítico 19:18, o mandamento de amar o próximo como a si mesmo, posto num capítulo que trata sobretudo de salários, honestidade e de não alimentar rancor. Jesus tomou esse mesmo versículo e o chamou de segundo maior mandamento, depois do amor a Deus (Mateus 22:39). Paulo recorre a ele de novo com os gálatas, dizendo-lhes que toda a lei se cumpre nessa única palavra (Gálatas 5:14).

Então isso não é um atalho esperto que alguém imaginou para tornar a fé mais fácil. É o testemunho constante da Escritura: os muitos mandamentos nunca foram uma lista aleatória, sempre foram o amor trabalhado nos detalhes. E aponta para uma pessoa. O único que cumpriu a lei sem uma só falha foi Cristo, que amou o seu próximo até a cruz e não lhe fez mal algum, mesmo enquanto lhe faziam todo o mal que existe. Quando me detenho neste versículo, não consigo deixar de ver o único homem que o viveu até o fim.

O próximo que eu preferiria não amar

Aqui a coisa fica desconfortável para mim. É fácil concordar com “o amor não faz mal” e depois passar a tarde ferindo alguém em silêncio com um tom de voz, uma resposta retida, uma história repassada que era verdadeira, mas indelicada de contar. Já fiz tudo isso. O versículo não me deixa escapar com um sentimento caloroso pelas pessoas em geral; ele pergunta o que eu de fato fiz com a pessoa do cômodo ao lado.

O que me firma é que Paulo me entrega um teste mensurável. Não se eu me senti amoroso, mas se a minha conduta custou a alguém algo que não devia. Essa é uma pergunta que consigo responder com honestidade quase toda noite, e muitas vezes a resposta honesta é não, apenas desatento. Por isso tento mantê-lo pequeno e real. Há a conta que demoro a pagar, que é justamente o que Paulo acabara de mencionar. Há a mensagem que vivo querendo responder. Há a verdade incômoda que eu preferiria suavizar. Nada disso é glamuroso, e tudo isso é o que a lei buscava o tempo todo.

Perguntas para ficar pensando
  • Há alguém a quem, tecnicamente, não estou prejudicando, mas a quem firo em silêncio com a minha frieza ou o meu silêncio?
  • Quando digo que amo uma pessoa específica, a minha conduta desta semana confirmaria isso, ou só os meus sentimentos?
  • Qual é uma coisa concreta e nada glamurosa que o amor faria por um próximo amanhã, e o que me impede de começar hoje?
  • Onde tratei os mandamentos de Deus como uma cerca a ressentir, em vez de um retrato do amor em que ainda não amadureci?

Se quiser continuar pensando nisso, vale ler ao lado de outros versículos sobre o amor e o modo como tratamos as pessoas, ou acompanhar o argumento de Paulo pelo resto de Romanos.

Versículos que falam sobre isto

  • E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

    Mateus 22:39 →
  • Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

    Gálatas 5:14

  • Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.

    Levítico 19:18

  • O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

    1 Coríntios 13:4-7

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