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Provérbios 10:12

O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões

Por The 316 Quotes Team

O ódio excita contendas; mas o amor cobre todas as transgressões.

Provérbios 10:12 Almeida (domínio público)

O que significa Provérbios 10:12?

Provérbios 10:12 coloca dois modos de viver lado a lado. O ódio fica cutucando velhas mágoas e alimenta brigas, enquanto o amor faz o contrário: cobre as faltas, escolhe perdoar em vez de expor. O versículo nos aponta para o amor paciente que cura o que a amargura só faz dilacerar.

Há épocas em que o mundo parece pesado. Doença, perda, preocupação com dinheiro, o cansaço de ver más notícias chegando mais rápido do que conseguimos absorver. Em momentos assim, algo endurece dentro de nós, e fica fácil procurar alguém para culpar. Salomão coloca dois caminhos diante de nós e mostra aonde cada um leva. “O ódio excita contendas; mas o amor cobre todas as transgressões.”

Repare bem no que o ódio faz. Ele agita. Não deixa que uma velha mágoa se acomode e descanse. Ele fica voltando ao passado, desenterrando aquilo que foi dito, cutucando a ferida para que ela não se feche. O ódio é inquieto desse jeito. Ele precisa manter a briga viva, e por isso sopra para reavivar a chama, e uma discussão alimenta a próxima até que algo se quebre.

O amor age na direção exatamente oposta. Ele cobre. Não fingindo que a ofensa nunca aconteceu, nem chamando o mal de bem, mas escolhendo não divulgar uma falta, não erguê-la para que todos vejam. O amor estende um manto sobre o erro e permite que ele seja perdoado. Onde o ódio descobre e inflama, o amor cobre e cura.

Essa palavra “cobre” é suave, mas pede muito de nós. Cobrir uma ofensa significa perdoar quem te feriu quando você tinha todo o direito de ficar com raiva. Significa deixar passar uma afronta em vez de guardá-la para usar depois. Nada disso é natural. É bem mais fácil ficar com a conta na mão e lembrar às pessoas das dívidas que elas têm.

E ainda assim é esse o amor que de fato conserta as coisas. Ele constrói pontes onde a desconfiança as queimou. É a única coisa forte o bastante para romper a longa corrente de uma ofensa respondida com outra. O mundo não precisa de mais gente habilidosa em agitar. Precisa de gente disposta a cobrir.

Por isso, se há uma mágoa antiga que você anda mantendo aquecida, pense em deixar o amor estender o seu manto sobre ela hoje. O perdão vai te custar algo. Quase sempre cura mais do que custa.

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Uma frase feita para ser carregada o dia inteiro

Para mim, ajuda lembrar de que tipo de livro vem este versículo. Provérbios não é uma história nem uma carta. É uma coletânea de ditados curtos e bem lapidados, reunidos, como o próprio livro nos diz, sob Salomão e a tradição de sabedoria do antigo Israel (Provérbios 1:1; 10:1). O capítulo 10 é onde a instrução longa e fluida dos primeiros capítulos dá lugar a uma fileira de dísticos de uma só linha, dezenas deles, cada um capaz de se sustentar sozinho. Foram feitos para serem decorados. Alguém trabalhando no campo, cuidando das crianças ou negociando no mercado podia guardar um deles na mente ao longo de um dia inteiro e deixá-lo moldar uma centena de pequenas decisões.

Isso molda o modo como leio Provérbios 10:12. Ele não chega como uma regra baixada lá de cima. Soa mais como uma verdade observada, do tipo que uma pessoa paciente e atenta transmite. O ódio faz isto. O amor faz aquilo. Observe, e você verá. Não há ameaça vinculada a ele, nem ordem, a rigor. Apenas dois caminhos postos lado a lado, e a confiança serena de que, depois de ter visto de verdade a diferença entre eles, você não vai querer o primeiro.

Duas metades que puxam uma contra a outra

A poesia hebraica muitas vezes funciona colocando duas linhas uma contra a outra, e aqui o emparelhamento é um choque proposital. A primeira metade e a segunda foram construídas para serem opostas, ponto por ponto: ódio contra amor, agitar contra cobrir, contendas contra transgressões. A intenção é que você sinta o versículo se partir ao meio para que os dois lados possam se encarar.

O verbo por trás de “cobre” merece que a gente vá devagar. O hebraico kasah é uma palavra comum e física para pôr uma coisa sobre a outra, uma roupa sobre o corpo, uma nuvem sobre o céu, a água sobre a terra. É o mesmo verbo usado quando as águas do dilúvio cobriram os montes nos dias de Noé (Gênesis 7). Então, quando o amor cobre uma ofensa, a imagem é concreta, não sentimental. Algo é estendido sobre a falta para que ela não fique mais à mostra.

O que me passou despercebido durante anos foi a força do contraste com “excita”. Esse verbo é inquieto e agitador, o oposto exato de deixar uma coisa se acomodar. Uma linha não deixa a poeira assentar. A outra estende um manto sobre ela. O provérbio inteiro gira em torno de eu agitar a ofensa ou cobri-la em silêncio, e essa escolha cabe a mim com bem mais frequência do que eu gostaria de admitir.

O versículo a que os apóstolos voltavam sempre

Esse pequeno dístico não ficou enterrado no Antigo Testamento. Sua segunda metade reaparece no Novo, o que me diz que a igreja primitiva o achou fazendo trabalho de verdade. Pedro se apoia no mesmo pensamento quando escreve sobre o amor e uma multidão de pecados: “o amor cobre uma multidão de pecados;” (1 Pedro 4:8), e Tiago encerra sua carta num tom parecido, sobre fazer voltar quem se desviou e a cobertura que vem em seguida (Tiago 5:19-20). Ao lado deste versículo está Provérbios 17:9, que percorre a mesma linha entre cobrir uma ofensa e desenterrá-la de novo.

E então há a camada mais profunda. A Escritura usa essa mesma imagem para o que o próprio Deus faz com o nosso pecado: ele é coberto, resolvido, não mais levado em conta contra nós (Salmo 32:1). Na cruz, o amor não fingiu que a ofensa não existia. Ele arcou com o custo e estendeu o seu manto sobre o culpado. Por isso, quando leio Provérbios 10:12 agora, quase o escuto como uma descrição de Cristo antes de ser uma instrução para mim. Ele cobriu todas as transgressões, as minhas entre elas, e é só porque ele fez isso que encontro alguma força para cobrir as de qualquer outra pessoa.

Onde isto de fato me custa algo

Os momentos em que este versículo me testa costumam ser pequenos e sem glamour. Um parente diz a mesma coisa cortante todo Natal. Um colega leva o crédito que era meu. Um amigo esquece, de novo, aquilo que importa para mim. Ninguém vai agitar essas coisas a não ser eu, e estou surpreendentemente disposto a isso. Repito a queixa para outra pessoa. Ensaio a ferida no banho e mantenho a conta discretamente em dia. É essa a agitação de que o versículo adverte, e eu sou bom nisso.

Cobrir é mais difícil e bem mais silencioso. Não quer dizer que eu me deixe ferir, nem que eu nunca nomeie uma ofensa real. O versículo trata de recusar-se a divulgar uma falta, não de fingir que abuso é aceitável. O que me ajuda é perguntar se contar isso mais uma vez de fato serve a alguém, ou se eu só quero a pequena satisfação de ter razão. Na maior parte das vezes, a resposta honesta me envergonha um pouco. Cobrir uma ofensa raramente parece uma vitória no momento. Parece uma perda que escolhi de propósito. Olhando para trás, porém, quase sempre é o que manteve um relacionamento vivo.

Perguntas para ficar sentado com elas
  • Existe uma velha mágoa que eu fico agitando, repetindo para mim mesmo ou para os outros, que eu poderia finalmente deixar acomodar?
  • Quando sou tentado a repetir a falta de alguém, a quem o contar de fato serve?
  • Onde eu fui coberto, perdoado sem ser envergonhado, e deixei que isso suavizasse o modo como trato as pessoas que têm dívidas comigo?
  • O que poderia mudar nesta semana se eu cresse de verdade que Cristo já cobriu toda ofensa cometida contra mim?

Se quiser continuar, você pode demorar-se no restante do livro de Provérbios, ou encontrar mais versículos reunidos conforme aquilo que você está sentindo.

Versículos que falam sobre isto

  • tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados;

    1 Pedro 4:8

  • O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afastam amigos íntimos.

    Provérbios 17:9

  • O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal;

    1 Coríntios 13:4-5

  • suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também.

    Colossenses 3:13

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