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Provérbios 27:17

O ferro afia o ferro

Por The 316 Quotes Team

Afia-se o ferro com o ferro; assim o homem afia o rosto do seu amigo.

Provérbios 27:17 Almeida (domínio público)

O que significa Provérbios 27:17?

Provérbios 27:17 diz que, assim como uma lâmina de ferro afia outra, um amigo verdadeiro te torna mais perspicaz, mais sábio e melhor. Exige convívio, e às vezes um pouco de atrito, mas a boa companhia molda o bom caráter. Não fomos feitos para crescer sozinhos, e as pessoas mais próximas ajudam a formar quem nos tornamos.

Um bom amigo certa vez me disse algo verdadeiro a meu respeito que eu não queria ouvir. Foi dito com boa intenção e com delicadeza, e ainda assim doeu. Fiquei acordado remoendo aquilo, meio na esperança de que pela manhã parecesse menos certeiro. Não pareceu. O que aconteceu, aos poucos, foi que me tornei melhor. É esse o trabalho que este pequeno provérbio descreve. “Afia-se o ferro com o ferro; assim o homem afia o rosto do seu amigo.”

Imagine uma lâmina sendo amolada. Você não afia uma faca com um pano ou com um pedaço de madeira. É preciso outro pedaço de metal duro, e o afiar solta faíscas e um pouco de calor. O provérbio é honesto quanto a isso. A amizade de verdade não é só conforto e convívio fácil. Às vezes é o atrito de alguém que te conhece bem o bastante para te dizer a verdade, e te ama o bastante para se dar ao trabalho.

Repare que é preciso convívio. O ferro não afia o ferro a distância, de um lado ao outro da sala. As duas lâminas precisam se encontrar. Somos moldados, para o bem ou para o mal, pelas pessoas que deixamos chegar perto, e é por isso que a companhia que mantemos importa tanto. Passe seus dias entre pessoas que te puxam para baixo, e você vai cegar. Fique perto de gente sincera, fiel e calorosa, e com o tempo algo disso vai ficando em você.

O afiar também deve ir nos dois sentidos. Este não é um versículo sobre achar alguém que te corrija e parar por aí. Você também é o ferro na mão de outra pessoa. Sua paciência, sua sinceridade, seu incentivo, até uma palavra meio sem jeito dita com amor, podem ser justamente aquilo que ajuda um amigo a crescer. Muitas vezes você nem vai perceber que fez isso.

Nada disso acontece a distância. Pede que sejamos conhecidos, que deixemos algumas poucas pessoas nos verem de perto o bastante para notarem onde precisamos mudar, e que ofereçamos o mesmo a elas.

Então agradeça a Deus pelo amigo que te diz a verdade. E tenha a coragem de ser esse amigo também. As faíscas valem a pena. Juntos ficamos mais afiados do que jamais ficaríamos sozinhos.

Aprofunde em Provérbios 27:17

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Copiado pelos homens de Ezequias

Para mim ajuda saber onde este provérbio se encaixa dentro do seu próprio livro. Provérbios não é um único e longo ensaio, mas uma coleção de coleções, e os capítulos em torno deste trazem uma nota pequena, porém fascinante. Provérbios 25:1 nos diz que os ditos ali reunidos são de Salomão, copiados mais tarde pelos homens de Ezequias, rei de Judá. Ou seja, a sabedoria remonta à corte de Salomão, mas a versão que lemos foi reunida e posta por escrito gerações depois, sob Ezequias. Pela datação tradicional, isso corresponde a algo como dois séculos e meio mais tarde, ainda que eu não queira cravar o número exato. Acho isso discretamente comovente. Uma linha sobre amizade foi considerada digna de ser preservada por escribas que jamais conheceram o homem que a disse primeiro. Eles não estavam inventando sabedoria na hora. Estavam guardando-a, copiando-a com cuidado para que não se perdesse. Isso me diz algo sobre como o provérbio funciona. O bom caráter, como um bom provérbio, é passado de uma pessoa a outra ao longo do tempo. Nada disso foi feito para ficar guardado em segredo. Foi feito para ser transmitido e revivido por pessoas que o primeiro autor nunca conheceria.

Uma palavra que significa lâmina, não estado de espírito

O verbo hebraico por trás de “afia” aqui é chadad, e carrega um sentido simples e físico: tornar algo cortante, pôr o fio numa lâmina. Vale a pena parar nisso, porque é fácil ler o versículo como se fosse só sobre um sentimento caloroso entre amigos. A imagem é mais dura e mais honesta do que isso. Um fio se faz lixando, desgastando aquilo que está cego. A frase é construída como um paralelo apertado, ferro com ferro e depois um homem com o seu amigo, sendo a segunda metade um espelho da primeira. É assim que a poesia hebraica costuma funcionar, mantendo dois quadros lado a lado para que um explique o outro. Repare também na palavra antiga que o versículo guarda em nossa própria tradução, “rosto”, que designa simplesmente a face. Não é só o amigo que é afiado, mas o seu rosto, o seu porte, o semblante de alguém que ficou mais desperto por causa da boa companhia. Olhos apagados se acendem no ambiente certo. Já vi isso acontecer à mesa de uma cozinha. Dá para perceber quando uma pessoa esteve cercada de gente que a leva a sério.

Sabedoria escrita não é sabedoria vivida

Há uma ironia triste que não consigo ignorar. A tradição por trás destes provérbios é Salomão, o rei mais sábio que Israel teve, e no entanto a história mais ampla do seu reinado é de afastamento e isolamento. Eis um homem cercado de esposas, cortesãos e tratados, que no fim das contas parece ter tido poucos amigos verdadeiros dispostos a lhe dizer a verdade (1 Reis 11). A sabedoria escrita não é o mesmo que a sabedoria vivida, e esse abismo faz parte do motivo pelo qual confio na honestidade da Bíblia. O próprio livro insiste que não conseguimos permanecer afiados sozinhos. Eclesiastes 4:9 a 10, pela tradição ligado à mesma voz real, defende que melhor é serem dois do que um. O mesmo instinto segue adiante até o Novo Testamento. Jesus não trabalhou no isolamento. Reuniu doze e caminhou com eles por anos. E quando Hebreus 10:24 a 25 exorta os crentes a se estimularem uns aos outros e a continuarem se reunindo, soa para mim como este provérbio crescido até virar uma comunidade inteira. Cristo é o amigo que nos diz a verdade e permanece. A sua proximidade afia sem jamais ferir para destruir.

O que me custa ser o ferro

Sinceramente, acho mais fácil querer um amigo que me afie do que ser um. Receber uma palavra dura e bondosa é humilhante, mas pelo menos é feita a mim. Oferecer uma significa escolher o risco eu mesmo. Já ensaiei uma frase difícil durante uma caminhada, temi o café em que teria de dizê-la e por duas vezes me convenci a desistir. O que me firma é lembrar que o ferro não afia o ferro sendo macio. O atrito não é crueldade. É o preço do convívio. Mas há maneiras reais de errar nisso. Posso confundir grosseria com sinceridade, ou me esconder atrás do “só estou sendo um bom amigo” enquanto descarrego a minha própria irritação. O teste a que sempre volto é se estou genuinamente feliz em ver essa pessoa crescer, ou só feliz em ter razão. Alguns versículos antes, Provérbios 27:9 elogia o conselho de um amigo: “O óleo e o perfume alegram o coração; assim é o doce conselho do homem para o seu amigo”, e essa ternura importa. O afiar só funciona quando o coração por baixo dele é bondoso. A correção fria apenas lasca a lâmina.

Perguntas para meditar
  • Quem na minha vida conquistou o direito de me dizer algo que eu não quero ouvir, e quando foi a última vez que de fato deixei?
  • Existe uma palavra bondosa e verdadeira que tenho evitado dizer a um amigo? Do que estou realmente com medo?
  • A companhia que mantenho está me deixando mais afiado, ou silenciosamente mais cego, e eu tenho sido sincero comigo mesmo sobre qual das duas?
  • Quando corrijo alguém, estou desejando o bem da pessoa, ou secretamente me deliciando em ter razão?

Se quiser continuar, pode passar um tempo com alguns versículos sobre encorajamento, ou se embrenhar um pouco mais pelo próprio livro e ler mais provérbios na Bíblia.

Versículos que falam sobre isto

  • O óleo e o perfume alegram o coração; assim é o doce conselho do homem para o seu amigo.

    Provérbios 27:9 →
  • Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá outro que o levante.

    Eclesiastes 4:9-10

  • Não vos enganeis. As más companhias corrompem os bons costumes.

    1 Coríntios 15:33

  • e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.

    Hebreus 10:24-25

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