Mateus 22:39
Ame o seu próximo como a si mesmo
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
O que significa Mateus 22:39?
Em Mateus 22:39 Jesus aponta o segundo grande mandamento: amar o próximo como a si mesmo. Ele coloca a régua no cuidado constante que já dedicamos a nós mesmos, e fala de todos a quem podemos ajudar, não só de quem mora ao lado. É amor em forma prática, mostrado em bondade real para pessoas reais.
Quando perguntam a Jesus qual é o maior mandamento, ele dá dois, e este é o segundo. “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” É curto o bastante para guardar de cor e exigente o bastante para durar uma vida inteira, por causa de uma pequena expressão: como a ti mesmo.
Essa expressão eleva a régua sem fazer alarde. Quase todos nós cuidamos de nós mesmos sem nem pensar. Nos alimentamos, descansamos, arranjamos desculpas para nós, queremos coisas boas para nós. Jesus pega esse cuidado constante e automático e diz: agora aponte para fora. Ame o próximo com a mesma atenção firme que você já dedica ao seu próprio conforto. Não se trata de inflar grandes sentimentos. Trata-se de tratar a pessoa à sua frente do jeito que você instintivamente trata a si mesmo.
A pergunta óbvia é aquela que um certo doutor da lei um dia fez a Jesus: afinal, quem é o meu próximo? Costumamos imaginar quem mora ao lado, ou quem está perto o suficiente para ser conveniente. Jesus respondeu com a história de um samaritano que parou por um estranho ferido, de outro povo, enquanto os homens religiosos respeitáveis passaram para o outro lado da estrada. O próximo, ao que parece, é qualquer pessoa cuja necessidade você está em condições de suprir. Isso alarga bastante o círculo. Ele atravessa nacionalidade, cor e língua e alcança a pessoa que Deus coloca no seu caminho e que precisa da sua ajuda.
Isto não é sentimentalismo brando. É amor que calça os sapatos e vai à luta. Tem a cara de orar por gente que nunca vai saber que você orou, de dar a quem não pode lhe retribuir, de oferecer uma palavra gentil a um estranho, de ser as mãos e os pés de Jesus num mundo que sofre. Nada disso precisa ser grandioso. Uma pequena bondade, dada de coração, é o mandamento cumprido.
Só conseguimos amar assim porque fomos amados assim. Enquanto ainda estávamos longe, Cristo se entregou por nós. Deixe esse amor se assentar dentro de você e então levante os olhos. Em algum lugar perto de você, hoje, há um próximo. Vá e ame-o como a si mesmo.
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Uma cilada armada nos pátios do Templo, dias antes da cruz
Ajuda-me a lembrar onde Jesus está quando diz isto. Já em Mateus 22 ele está em Jerusalém, na última semana de sua vida, ensinando no Templo, e um grupo após o outro se reveza para tentar pegá-lo numa cilada. Os fariseus e os herodianos vêm com a pergunta sobre o imposto a César. Os saduceus vêm com um enigma sobre uma mulher e sete maridos. Então um doutor da lei, um perito na lei de Moisés, pergunta qual é o maior mandamento (Mateus 22:34 a 36). Não é uma pergunta inocente. Os rabinos de fato debatiam como resumir uma lei com centenas de mandamentos, e qualquer resposta que Jesus desse poderia ser desmontada.
O que me impressiona é que Jesus não desvia nem enrola. Ele responde com o amor a Deus em primeiro lugar (Mateus 22:37 a 38) e então, sem que ninguém pedisse, acrescenta este segundo. Ninguém o pressionou por dois. Ele o oferece de livre vontade. Num cenário montado para fazê-lo tropeçar, ele calmamente lhes entrega o coração inteiro da lei e vai além do que a pergunta exigia.
O peso silencioso de 'e o segundo, semelhante a este'
A expressão que me detém é ‘E o segundo, semelhante a este’. A palavra semelhante está fazendo um trabalho de verdade. Jesus não está classificando o amor ao próximo como um acréscimo menor e opcional. Ele está dizendo que é da mesma espécie, do mesmo tecido, que o amor a Deus. Poucos versículos adiante ele diz que toda a lei e os profetas dependem destes dois (Mateus 22:40). Dois mandamentos, uma só dobradiça.
A outra coisa fácil de não perceber é que nada disso é novo. Jesus está citando, quase palavra por palavra, Levítico 19:18, uma frase posta por escrito muito antes, na lei de Israel. Ele não inventou a sentença. Pegou algo que já estava escrito e ergueu como central. Isso me toca, porque significa que o amor ao próximo nunca foi um pensamento brando do Novo Testamento, sobreposto a uma lei antiga e dura. Estava na Torá o tempo todo, esperando ser visto pelo que era. Jesus simplesmente se recusou a deixá-lo enterrado debaixo das regras menores.
Por que 'como a ti mesmo' é a parte em que eu não paro de tropeçar
Já passei muito tempo às voltas com aquela pequena régua, ‘como a ti mesmo’, e ainda não tenho certeza de ter chegado ao fundo dela. A leitura mais simples é também a mais desconfortável. O versículo não mede o meu amor por um sentimento, ou por um dia bom, ou por quão merecedora a outra pessoa parece. Ele o mede pela preocupação firme e instintiva que eu já derramo sobre mim mesmo.
O que me inquieta é o quanto isso me expõe. Posso me dizer que amo as pessoas enquanto, em silêncio, mantenho dois pesos diferentes: paciência sem fim para as minhas próprias falhas, julgamento rápido para as delas. O versículo fecha essa brecha. Ele pergunta se a pessoa perto de mim recebe o mesmo benefício da dúvida, a mesma preocupação prática que eu concedo a mim mesmo por reflexo, sem pensar duas vezes. Medido assim, boa parte do meu suposto amor fica bem aquém, e essa ferroada honesta é, eu acho, exatamente onde o versículo quer acertar.
A lei cumprida por aquele que a deu
Há um fio aqui que atravessa toda a Bíblia. O mandamento está em Levítico, Jesus o nomeia como segundo apenas ao amor a Deus, e Paulo escreve mais tarde que o amor é o cumprimento da lei (Romanos 13:8 a 10), reunindo os mandamentos nesta única frase. Tiago o chama de lei real (Tiago 2:8). A história inteira não para de voltar ao amor ao próximo como a prova de que o nosso amor a Deus é real.
E então há o próprio Cristo. Uma coisa é ensinar o segundo mandamento no Templo. Outra é estar a poucos dias de cumpri-lo ao custo máximo. O homem que diz ‘amarás ao teu próximo como a ti mesmo’ estava prestes a amar os seus próximos, inclusive os que zombavam, dando a sua vida (João 15:13). Ele não ordena de uma distância segura. Ele vai primeiro. Por isso o mandamento nunca funciona como uma escada que eu subo para merecer o favor de Deus. É a forma de um amor que já me foi mostrado, e o que dou ao meu próximo é esse mesmo amor passado adiante, não uma dívida que me esforço para pagar.
Amar o próximo que eu não escolhi
Na prática, acho que o próximo mais difícil raramente é o estranho necessitado. É o colega que ficou com o crédito, o parente que insiste em reabrir a velha ferida, a pessoa cuja política me faz cerrar os dentes. A história do samaritano (Lucas 10:29 a 37) escolhe de propósito alguém que os ouvintes da época desprezariam, e eu acho que isso é intencional. Ela se recusa a me deixar desenhar um círculo arrumadinho e amar só quem está dentro dele.
Então o que me ajuda é tornar isso pequeno e específico. Não uma grande campanha de compaixão, apenas a próxima pessoa. Quem é aquele que sou mais tentado a descartar nesta semana? Como seria, na prática, o cuidado que instintivamente dou a mim mesmo, voltado para ele? Às vezes é uma mensagem que não tenho vontade de mandar, ou segurar a língua quando tenho uma resposta afiada pronta, ou reparar na pessoa que me atende e tratá-la como gente. O mandamento raramente pede algo heroico. Ele pede honestidade quanto à brecha, e um passo real para fechá-la hoje.
Perguntas para sentar e refletir
- Onde estou usando dois pesos: generoso com as minhas próprias falhas, duro com as do outro?
- Quem é o próximo que eu preferiria deixar de fora do meu círculo, e qual é a menor bondade real que eu poderia mostrar a ele nesta semana?
- Trato o amor ao próximo como a prova do meu amor a Deus, ou como um extra opcional para depois que as partes religiosas estão feitas?
- Quando foi a última vez que me deixei receber o amor de Deus antes de tentar repassá-lo, e essa ordem chega a se inverter em mim?
Se quiser seguir adiante, você pode passar mais tempo com o evangelho de Mateus ou encontrar um versículo para onde quer que o seu coração esteja hoje, entre os versículos para o que você está sentindo.
Versículos que falam sobre isto
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Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus, prosseguindo, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faze tu o mesmo.
Lucas 10:29-37
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Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.
Levítico 19:18
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Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.
Mateus 7:12
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