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1 Coríntios 13:2

A fé que pode mover montanhas

Por The 316 Quotes Team

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

1 Coríntios 13:2 Almeida (domínio público)

O que significa 1 Coríntios 13:2?

1 Coríntios 13:2 faz uma afirmação que nos sacode. Até a fé capaz de mover montanhas, somada a profundo conhecimento e profecia, não vale nada sem amor. Paulo mede cada dom pelo amor e os encontra vazios por si sós. O que fazemos importa muito menos do que se há amor por trás.

Costumamos admirar o que é espetacular. Apresente-nos alguém de grande conhecimento, ou alguém cuja fé parece dobrar a realidade, e ficamos impressionados na hora. Paulo pega esse instinto e o desmonta com delicadeza. “E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.”

Leia isso devagar, porque é muito mais impactante do que o versículo ali ao lado sobre a fé mover montanhas. Em outro lugar Jesus de fato promete que a fé do tamanho de um grão de mostarda pode deslocar um monte, e isso é maravilhoso. Mas aqui Paulo diz que você poderia ter toda essa fé, na sua medida plena de mover montanhas, e ainda assim não ser nada se faltar o amor. O dom é real. Sem amor, ele é oco.

Isso deveria reorganizar as nossas prioridades. A maioria de nós, se for sincera, preferiria ter dons a ter um bom coração. Aceitaríamos a fé impressionante, o entendimento profundo, a capacidade de fazer coisas extraordinárias, e em silêncio supomos que o amor vai se ajeitando pelo caminho. Paulo não nos permite isso. Ele não está menosprezando a fé ou o conhecimento. Está dizendo que nunca foram feitos para existir sozinhos, e que o amor é o que lhes dá qualquer valor.

Vale perguntar por quê. O amor é aquilo que Deus é. Quando Paulo coloca o amor acima até da fé que move montanhas, ele nos aponta de volta ao próprio caráter de Deus, que não apenas nos conheceu ou fez maravilhas por nós, mas nos amou a ponto de vir e morrer. Ter dons sem amor é ter as obras de Deus sem o coração de Deus.

Então peça por fé, sim, e peça com ousadia. Ore pela fé que confia em Deus para coisas difíceis, do tamanho de montanhas. Mas peça primeiro, e acima de tudo, pelo amor. Sem ele, a maior das fés é só barulho. Com ele, até os atos pequenos e comuns se tornam algo que permanece.

Aprofunde em 1 Coríntios 13:2

Um olhar mais demorado, sem pressa, caso queira ler mais. Abra a seção que mais lhe falar.

Uma carta a uma igreja dotada e em conflito

Para sentir o peso deste versículo, preciso imaginar as pessoas que primeiro o ouviram ser lido em voz alta. Paulo escreveu à igreja de Corinto, uma cidade portuária movimentada, e os crentes dali eram cheios de dons e bastante orgulhosos disso. Ao longo dos capítulos 12 a 14 ele lida com uma comunidade que havia começado a classificar uns aos outros pelos seus dons espirituais. Alguns valorizavam as línguas, outros a profecia ou o conhecimento, e o resultado não era adoração, mas uma silenciosa disputa por hierarquia, com pessoas feitas para se sentirem de segunda classe.

É nessa sala que Paulo está falando. O capítulo 13 não é um poema avulso, escolhido para casamentos, por mais bonito que soe ali. Ele fica bem no meio do seu argumento sobre os dons, como uma pausa em que ele se volta para toda a igreja em desavença e diz que eles perderam o ponto. As próprias coisas das quais se gabavam, profecia e mistérios e fé, são as coisas que ele lista aqui e em seguida esvazia. E ele também não está repreendendo de uma distância segura. Segundo o relato de Atos, ele mesmo havia fundado aquela igreja, e acho que dá para ouvir algo como um luto pastoral por baixo da linguagem que se eleva.

"Nada seria", não "valeria menos"

O que me faz parar toda vez é o quanto Paulo torna isso absoluto. Ele não diz que dons sem amor valem um pouco menos, ou que escorregam para baixo em alguma tabela de classificação. Ele diz: “nada seria”. Olhe de perto e você o verá empilhar de propósito os casos mais extremos. Não um pouco de profecia, mas o dom de profecia. Não algum conhecimento, mas “todos os mistérios e toda a ciência”. Não a confiança comum, mas “toda fé, de maneira tal que transportasse os montes”. Ele leva cada dom ao seu teto absoluto, e o veredito ainda cai em zero.

A palavra para amor aqui é o grego agápe, e importa que Paulo escolha essa palavra em vez de uma para afeição ou atração. Agápe é o amor que dá e continua dando, mereça ou não a outra pessoa. É menos um sentimento caloroso do que uma maneira firme de tratar as pessoas. Então Paulo não está pedindo que os coríntios gostem mais uns dos outros. Está lhes dizendo que toda a imponente estrutura dos seus dons fica sem alicerce, a menos que esse tipo de amor que se entrega esteja sustentando o conjunto. Tire isso e a soma não é pequena. É nada.

Onde Jesus e Paulo não estão discordando

É fácil colocar este versículo contra as palavras de Jesus e sentir uma tensão. Jesus disse que a fé como um grão de mostarda poderia dizer a um monte que se movesse, em Mateus 17:20, e aqui está Paulo parecendo afastar com a mão essa mesma fé que move montanhas. Mas eles não estão em desacordo. Jesus estava erguendo os olhos de discípulos ansiosos e de pouca fé, mostrando-lhes que até uma pequena confiança verdadeira em Deus carrega um poder enorme. Paulo está falando a pessoas já inchadas com as próprias conquistas espirituais, advertindo-as de que o máximo desse poder é oco se o amor está faltando. Um é encorajamento para os tímidos. O outro é um aviso para os que impressionam.

E eles puxam na mesma direção. Paulo coloca o amor acima de todo dom, e mais tarde, escrevendo aos gálatas, insiste que o que afinal conta é a fé que se expressa pelo amor, em Gálatas 5:6. A fé é real, e ela importa. Simplesmente nunca foi feita para funcionar por conta própria. Por isso tomo isto menos como um rebaixamento da fé e mais como uma lembrança do que sempre foi destinado a movê-la.

A mão que eu pegaria primeiro

Tenho de ser honesto sobre como isto me expõe. Se Deus estendesse um dom marcante, daqueles que viram cabeças, em uma das mãos, e na outra uma capacidade silenciosa de amar pessoas difíceis de amar, sei qual mão eu pegaria. Esse instinto é exatamente a troca que Paulo se recusa a me deixar fazer. Já me peguei em uma reunião, ocupado preparando algo sábio para dizer, enquanto a pessoa do outro lado da mesa se desfazia em silêncio e eu mal percebia.

O que me ajuda é que Paulo não me manda jogar os dons fora. Ele me manda conferir o que há por baixo deles. Então comecei a fazer uma pergunta menor e bem mais incômoda do que “será que sou dotado?” Pergunto: quando fiz aquela coisa boa, para quem ela foi de fato? A visita, a mensagem de incentivo, o pouco de serviço na igreja, foi amor, ou era eu querendo ser visto como alguém que ama? Minhas respostas saem misturadas, e acho que tudo bem. Paulo não exige motivos imaculados antes de me permitir agir. Ele reorienta a ambição inteira, de modo que eu prefira ser alguém que ama de forma desajeitada e continua tentando a ser alguém que faz tudo com brilho e não sente nada.

Perguntas para ficar sentado com elas
  • Se for dolorosamente honesto, eu preferiria ser admirado por ser dotado ou ser conhecido por ser bondoso, e o que essa preferência revela de mim em silêncio?
  • Onde estou hoje fazendo um trabalho genuinamente bom, na igreja, em casa ou na internet, enquanto ando com pouca reserva de amor real pelas pessoas envolvidas?
  • Paulo diz que até a maior fé sem amor não vem a ser nada. Existe uma relação em que continuo pedindo a Deus que faça algo grande enquanto me recuso a fazer eu mesmo a pequena coisa amorosa?
  • Como seria, nesta semana, deixar que o amor fosse a verdadeira razão por trás de um ato comum, em vez de pensar em como esse ato me faz parecer?

Se quiser continuar sentado com isto, dá para percorrer mais versículos sobre amor e fé por tema, ou seguir lendo a primeira carta de Paulo aos coríntios.

Versículos que falam sobre isto

  • Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.

    1 Coríntios 13:1

  • Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

    1 Coríntios 13:13 →
  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível.

    Mateus 17:20

  • Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor.

    Gálatas 5:6

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