Tiago 1:2-4
Deixe a perseverança completar a sua obra
Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações, sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança; e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.
O que significa Tiago 1:2-4?
Tiago 1:2-4 pede que os que creem enfrentem as provações com alegria, porque a prova da fé gera perseverança, e a perseverança, quando concluída, nos torna maduros e completos. Não finge que a provação é agradável. Promete que, nas mãos de Deus, até as épocas duras moldam em nós algo bom e duradouro.
É uma das coisas mais surpreendentes do Novo Testamento. Tiago não diz para cerrarmos os dentes nos tempos difíceis, nem para mantermos a cabeça erguida, nem para torcermos que tudo passe depressa. Ele diz: “Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações.” Gozo. Bem no meio daquilo que mais gastamos energia tentando evitar.
Ele não está sendo leviano, e com certeza não está fingindo que a provação é divertida. A palavra abrange tudo o que pesa: a perda, a pressão, a doença, aquele tipo de época que vai nos esgotando aos poucos. Tiago sabe muito bem o que são essas coisas. O ponto dele não é que a provação em si seja boa, mas que existe algo acontecendo dentro dela que vale mais do que o conforto que perdemos. “A aprovação da vossa fé produz a perseverança.”
Essa palavra, perseverança, é a força de aguentar firme que só cresce debaixo de peso. Você não a consegue em tempo de bonança. A fé que nunca foi testada é uma fé que nunca foi provada, e Tiago quer que a nossa seja do tipo experimentado e comprovado, aquela que se sustenta quando tudo treme. A provação é justamente o lugar onde a força é forjada, do mesmo modo que o músculo só se constrói contra a resistência.
Então vem a instrução que dá nome a esta passagem: “A perseverança tenha a sua obra perfeita.” Existe uma tentação, quando as coisas apertam, de procurar a saída mais rápida, de escapar de baixo da lição antes que ela tenha feito qualquer coisa em nós. Tiago diz: não interrompa o processo. Deixe-o terminar. Permaneça nele tempo suficiente para que ele faça de você o que a passagem promete, “perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma”. Não sem pecado, mas maduro, já crescido, não mais derrubado a cada decepção.
Por isso, se você está numa dessas épocas que levam ao limite, tenha ânimo. Você não está sendo simplesmente surrado sem motivo. A mesma mão que permitiu a provação está agindo dentro dela, e está formando em você algo que a tranquilidade jamais produziria. Aguente mais um pouco. Deixe a obra se completar, e confie naquele que promete que você sairá sem que lhe falte coisa alguma.
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Uma carta de sabedoria direta e sem rodeios
Tiago escreve como um homem que parou de desperdiçar palavras. A tradição há muito entende que os leitores desta carta eram crentes judeus dispersos longe de casa, já que a primeira linha de Tiago 1:1 se dirige às doze tribos da Dispersão, ainda que o público exato seja motivo de debate. De um jeito ou de outro, as provações que ele cita não são teóricas. Boa parte do que vem em seguida é conselho prático sobre dinheiro, a língua, o favoritismo e a paciência, aquele tipo de sabedoria com os pés no chão que se encontra mais em Provérbios do que num longo argumento teológico. Acho que isso importa na hora de ler estes versículos. Tiago não escreve de um gabinete silencioso com a porta fechada. Ele escreve a pessoas que já sabem o gosto da perda, e a primeiríssima coisa que faz, antes de qualquer consolo, é entregar-lhes um mandamento que vai na contramão: tende por motivo de grande gozo. Ele não começa pela compaixão. Começa pela perspectiva, do jeito que um bom médico às vezes lhe diz a verdade antes de dizer que vai ficar tudo bem. Acho essa ordem estranha e revigorante toda vez.
O que "tende por motivo" realmente me pede
A expressão “tende por motivo de grande gozo” faz mais do que eu supunha de início. “Ter por motivo” carrega aqui o sentido de calcular, de pesar uma coisa e chegar a um veredito, e não de sentir um calor no peito por encomenda. Tiago não me diz para fabricar alegria no instante em que a má notícia chega. Ele me diz para fazer um juízo, para olhar com honestidade o que está acontecendo e concluir que há alegria a ser encontrada nisso. O ver vem primeiro, e o sentir, se vier, vem depois. Isso é um alívio, sinceramente, porque há manhãs em que não consigo reunir uma única emoção calorosa diante do que estou carregando.
Repare também na palavra “várias”. As provações vêm em formatos diferentes, e Tiago não as classifica. Aquela coisa que silenciosamente vai esgotando você também conta. Ele ainda apresenta uma ordem nestes versículos: a prova produz perseverança, a perseverança deve ter a sua obra perfeita, e o fim de tudo é uma pessoa amadurecida, que se torna, nas palavras do texto, “perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma”. Ele não promete que o processo seja rápido. Promete que ele leva a algum lugar.
Um fio que atravessa toda a Escritura
Tiago não inventou essa ideia. O pensamento de que a pressão produz algo bom numa pessoa atravessa a Bíblia inteira como uma viga de sustentação. Paulo diz praticamente o mesmo em Romanos 5:3-4, traçando uma linha que vai da tribulação até a esperança. Pedro escreve sobre a fé sendo provada e mostrando-se mais valiosa do que o ouro (1 Pedro 1:7). Hebreus 12:11 é honesto ao reconhecer que a correção não parece agradável no momento, mas depois dá bom fruto. Jó, sentado no pior de tudo, confia que a prova de Deus não será o seu fim (Jó 23:10). Não são versículos soltos. São uma convicção bíblica firmada.
E tudo isso aponta para Cristo. A carta aos Hebreus diz algo surpreendente, que o próprio Jesus foi levado à plenitude por aquilo que sofreu (Hebreus 5:8-9), usando uma linguagem próxima do “perfeito” de Tiago. Ele percorreu a estrada da prova à nossa frente e não a interrompeu no jardim. Por isso, quando me pedem para deixar a perseverança terminar a sua obra, não estão me pedindo algo que o meu Salvador contornou. Estão me pedindo para segui-lo por um caminho que ele já trilhou.
Por que me dizem para deixar a obra se completar
Vou ser honesto sobre onde isso me atinge. O impulso que Tiago identifica, o de buscar a saída mais rápida antes que a lição tenha feito qualquer coisa em mim, é um que conheço bem. Quando uma época fica dura, começo a vasculhar a saída, o telefonema que resolve, a decisão que põe fim ao desconforto, qualquer coisa para sair de baixo do peso. E às vezes a coisa mais santa que posso fazer é simplesmente não fugir. Permanecer. Deixar a obra se completar.
O que me ajuda é parar de exigir que a provação pareça cheia de sentido enquanto ainda estou dentro dela. Raramente parece. A alegria de que Tiago fala é, na maior parte, um veredito que profiro no escuro, confiando que a conta fecha mesmo quando não consigo ver os cálculos. Já me sentei com pessoas em corredores de hospital e à beira de túmulos, e nunca uma única vez disse “tende por motivo de grande gozo” em voz alta para elas, porque o momento certo e a ternura importam. Mas vi algumas dessas mesmas pessoas, meses e anos depois, se tornarem as mais firmes, as menos ansiosas, as mais quietamente generosas que conheço. A perseverança tinha feito a sua obra. Saíram sem que lhes faltasse coisa alguma, não porque a vida lhes devolveu tudo, mas porque algo foi construído nelas que uma estrada fácil jamais teria construído.
Perguntas para meditar
- Onde, neste exato momento, estou buscando a saída mais rápida em vez de deixar a época terminar a sua obra em mim?
- O que significaria “ter por motivo de grande gozo” esta provação como um veredito deliberado, mesmo num dia em que não sinto nada?
- Quem eu conheço que saiu de uma fase difícil mais firme e mais gentil, e o que isso pode me dizer sobre a minha própria?
- Estou disposto a confiar que a mesma mão que permitiu isso também está agindo dentro disso?
Se você precisa de mais versículos para se firmar numa época que leva ao limite, vale a pena se demorar em alguns sobre força, fé e esperança, ou ler mais da carta de Tiago.
Versículos que falam sobre isto
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E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança;
Romanos 5:3-4
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para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;
1 Pedro 1:7
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Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ele têm sido exercitados.
Hebreus 12:11
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Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro.
Jó 23:10
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