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Mateus 6:10

Assim na Terra Como no Céu

Por The 316 Quotes Team

venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

Mateus 6:10 Almeida (domínio público)

O que significa Mateus 6:10?

Em Mateus 6:10, Jesus nos ensina a orar para que o reino de Deus venha e a sua vontade seja feita aqui com a mesma perfeição com que já é no céu. É uma oração que pede a Deus que reine, que entrega o nosso jeito ao dele e que anseia pelo dia em que a terra será inteiramente restaurada sob o seu governo.

A maioria de nós já repetiu essas palavras centenas de vezes, muitas vezes meio adormecidos ou apressando as linhas que conhecemos de cor. Vale a pena desacelerar diante delas, porque numa só frase curta Jesus nos diz o que devemos desejar acima de tudo: “venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.

O reino estava no centro de tudo o que Jesus pregava. Ele ia de cidade em cidade anunciando que o reinado de Deus havia chegado perto, que ele irrompia por onde quer que Jesus passasse, curando os doentes e acolhendo as pessoas que todos os outros já tinham desistido de amar. Por isso, orar “venha o teu reino” é pedir duas coisas ao mesmo tempo. É pedir que Deus reine aqui e agora, na sua casa e no seu coração, e é pedir pelo dia em que ele finalmente colocará o mundo inteiro nos eixos.

“Seja feita a tua vontade” é a metade mais corajosa. É fácil querer os planos de Deus quando eles por acaso combinam com os nossos. Esta oração vai além. Ela entrega a ele o resultado mesmo quando teríamos escolhido de outra forma, mesmo quando obedecer nos custa algo. Jesus mesmo a orou no jardim, em agonia, com a cruz diante dele: não a minha vontade, mas a tua. Esse é o peso que essas palavras podem carregar.

E então vem a medida: “assim na terra como no céu”. Imagine como a vontade de Deus é feita ali, por completo. Sem relutância, sem obediência pela metade, ninguém arrastando os pés. Orar esta linha é pedir que essa mesma alegria crie raízes aqui embaixo, começando por você. É um pedido silenciosamente exigente. Você não consegue de fato orá-lo e permanecer neutro a respeito de quem governa a sua vida.

Então, da próxima vez que você chegar a esta parte da oração, deixe que ela alcance você. Você não está recitando uma fórmula. Você está pedindo ao Rei do céu que se sinta em casa no seu pedaço de terra, no seu dia comum, e confiando que, quando a vontade dele for feita, ela será melhor do que a sua. Venha o teu reino, Senhor. Que ele comece aqui.

Aprofunde em Mateus 6:10

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Onde esta linha se encaixa na oração

Ajuda-me a lembrar de onde esta linha vem. Ela faz parte do que chamamos de Oração do Senhor, e Mateus a coloca dentro daquele longo trecho de ensino que chamamos de Sermão do Monte (Mateus 5 a 7). Então Jesus não está entregando esta oração a alguns poucos iniciados a portas fechadas. Ele está ensinando uma multidão a conversar com Deus, em palavras simples que qualquer um poderia levar para casa.

Mateus costuma ser lido como alguém que escrevia para pessoas que conheciam bem as Escrituras hebraicas, e ele não para de mostrar como Jesus responde àquilo que Israel havia esperado por tanto tempo. Isso importa aqui, porque o anseio de que Deus reinasse e colocasse o mundo nos eixos não começou com esta oração. Ele recua até os profetas. Quando Jesus ensina a multidão a pedir que o reino venha, ele dá voz a uma esperança muito mais antiga do que a manhã em que o ouviram.

O que me comove é a ordem disso tudo. Logo antes, em Mateus 6:9, Jesus lhes diz para começar chamando Deus de Pai. Só então vêm o reino e a vontade. Essa ordem é gentil de propósito. Você não está barganhando com um governante distante. Você está pedindo ao seu Pai justamente aquilo que ele mais deseja dar.

Dois pedidos que dizem uma só coisa de duas vezes

Olhe a forma da linha e você nota como ela é enxuta e paralela. Peça que o reino venha; peça que a vontade seja feita. No grego original esses são, na gramática, mandamentos, embora claramente sejam súplicas, e não ordens que gritamos a Deus. A forma carrega uma urgência discreta, algo próximo de “que venha, e logo”.

A palavra por trás de reino, basileia, inclina-se mais para reinado ou governo do que para um lugar no mapa. É menos uma extensão de território e mais um rei sendo de fato obedecido. Essa pequena mudança alterou o jeito como eu oro. Não estou pedindo a Deus que me leve para algum lugar melhor. Estou pedindo que ele seja Rei onde eu já estou.

A parte que levei anos para enxergar é que “seja feita a tua vontade” e “venha o teu reino” estão dizendo uma só coisa por dois ângulos. Onde Deus genuinamente reina, a sua vontade é simplesmente o que acontece. Por isso a segunda metade não é um assunto novo. Ela detalha como seria a primeira se de fato chegasse: um lugar onde aquilo que Deus quer é o que ocorre, sem o habitual arrastar de pés.

O céu diante do qual erguemos a terra

“Assim na terra como no céu” é a parte que eu costumava passar batido, e acontece que ela é o motor da frase inteira. É ela que dá à oração a sua medida. Não estamos pedindo uma vaga melhora. Estamos pedindo que a terra venha a corresponder ao céu, onde a vontade de Deus é feita plena e alegremente.

Vale ser honesto sobre quão pouco detalhe a Bíblia nos dá daquele lugar. Não há visita guiada. O que a Escritura mostra, repetidas vezes, são criaturas que fazem exatamente o que Deus diz, sem aquele arrastar de pés que conheço tão bem em mim mesmo. Orar esta linha é admitir que existe um lugar onde as coisas dão certo, e pedir que essa retidão desça até nós.

Os profetas deram imagens a esse anseio. Isaías viu um dia em que as nações “converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra”. Muito depois, João viu um novo céu e uma nova terra, a velha ordem desaparecida: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.” Esta oração se inclina rumo a esse horizonte. Quando peço que o reino venha, parte do que estou pedindo é pelo dia em que o medo finalmente ficar sem motivos.

Ele orou a sua própria oração no jardim

A reflexão curta já aponta para o jardim, e quero seguir esse fio mais um passo, porque é esse passo que me desassossegou. Jesus não apenas ensina a oração. Ele se torna o caso de prova dela.

O que me marca é o custo embutido em “seja feita a tua vontade”. No Getsêmani, Jesus pediu ao Pai que afastasse o cálice e depois devolveu a ele a resposta: “Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.” Eu sempre tratei essas palavras como o final fácil e arrumadinho daquela cena. Não são. O pedido era real; a entrega veio depois de um genuíno não que se erguia nele. Ele queria que o cálice fosse embora e orou a linha mesmo assim. Essa ordem importa para mim, porque significa que a oração deixa espaço para uma relutância honesta antes de pedir confiança.

Então, quando luto para dizer de verdade “seja feita a tua vontade”, não estou sendo mandado por uma estrada que Jesus evitou. Ele foi primeiro, e o reino chegou perto porque ele foi. Cada cura, cada acolhida de um excluído, cada injustiça que ele corrigiu era uma pequena amostra da terra alcançando o céu.

Orá-la numa terça-feira comum

O que me ajuda é trazer esta oração do cosmos para a cozinha. Pedir que o reino venha pode soar imenso, e é mesmo, mas também tem uma pequena porta de entrada. Começa pelo pedaço de terra sobre o qual eu por acaso estou de pé.

Já orei esta linha cerrando os dentes diante de um diagnóstico que eu não queria. Já a orei sobre um relacionamento que eu não conseguia consertar, em que o desfecho que eu preferia era óbvio e o de Deus ainda não estava claro. E já a orei, baixinho, sobre a minha própria teimosia, porque o primeiro palmo de terra que precisa entrar sob o governo de Deus costuma ser eu mesmo.

A dificuldade honesta é a distância entre dizer as palavras e querê-las. Em certos dias eu oro “seja feita a tua vontade” e quero dizer “por favor, deixa que a tua acabe sendo a minha”. Nomear essa distância, em vez de fingir que ela não está ali, é onde a oração começa o seu lento trabalho em mim. Não preciso me sentir corajoso para orá-la. Só preciso estar disposto a entregar o resultado mais uma vez.

Perguntas para levar na oração
  • Onde estou orando “seja feita a tua vontade” enquanto, em silêncio, espero que a vontade de Deus acabe coincidindo com a minha?
  • Como seria de fato Deus reinar no meu próprio pedaço de terra nesta semana, na minha casa, no meu trabalho, no meu temperamento?
  • Quando imagino o céu, onde a vontade dele é feita alegre e plenamente, essa imagem me atrai ou me incomoda, e por quê?
  • Existe algum resultado que eu esteja segurando com força e que eu pudesse, hoje, devolver ao meu Pai?

Se quiser continuar, você pode passar mais tempo no Evangelho de Mateus, ou procurar um versículo que vá ao encontro de onde você está hoje.

Versículos que falam sobre isto

  • Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

    Mateus 6:33 →
  • dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.

    Lucas 22:42

  • E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.

    Apocalipse 21:1

  • E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.

    Isaías 2:4

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